sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ENTREVISTA - Fábio Laguna (Hands Of Fire)

Fábio Laguna é um dos mais respeitados e representativos teclistas do heavy metal brasileiro. Membro efectivo dos Hangar, Almah e Freakeys, colaborou durante vários anos com os grandiosos Angra. A mestria das mãos de fogo tranformadas em palavras.

Metal Morfose – Quando é que surgiu a vontade de tocares teclas?

Fábio Laguna - O meu irmão mais velho André também é teclista e começou a tocar teclado antes de mim. Nos meus primeiros dias como teclista ele foi a minha maior influência. O meu pai também toca um pouco de violão e conhecia muitos teclistas, que estavam sempre em casa a mostrar as suas novas aquisições. Aqueles aparelhos cheios de botões, luzes e teclas encantavam-me.

Metal Morfose – Qual foi a primeira música de rock'n'roll/heavy metal que tocaste no teclado?

Fábio Laguna - Hummm... Acho que foi “Changes”, dos Black Sabbath. Depois de a aprender não parava de a tocar, acho que hoje já nem me lembro (risos). Foi bom para coordenar as mãos e a voz, pois eu tentava cantá-la, e quem conhece sabe que é uma música cheia de arpejos no piano e a voz não é complicada, mas é uma daquelas melodias estranhas que o Ozzy fez no inicio de carreira. Depois vieram “Jump” dos Van Halen e “Final Countdown” dos Europe.

Metal Morfose – Dás aulas de teclado? Fala um pouco sobre isso.

Fábio Laguna - Sim dou aulas, mas à minha maneira. Não tenho nenhuma formação académica e não gosto muito como as coisas são ensinadas "academicamente". Para mim como o próprio nome diz, conservatório é muita conserva. Eles ensinam a história da música e as suas escolas, ensinam a ler as bolinhas, mil técnicas, mas esquecem-se de coisas importantes. Das necessidades actuais do músico, de como é feita a leitura, como se solda um cabo ou se monta uma banda e se ganha dinheiro com uma banda. Desses assuntos a escola esquece. Como a estrada foi e é a minha escola, é sobre isso que prefiro ensinar. Além da abordagem musical em geral, gosto de ensinar técnicas de sequência, programação de sintetizadores, técnicas para a melhor utilização do equipamento ao vivo, de gravação, composição, etc. Um teclista hoje em dia é tudo numa banda que não seja guitarra, bateria, baixo e voz. Tem que se fazer desde o hammond até à maldita flautinha que tem um arranjo numa determinada música. Faz parte do nosso trabalho ser uma "orquestra".
Enfim, gosto que os meus alunos caiam na estrada como homens, e não como meninos com medo de errar.

Metal Morfose – Solos de teclado são espectáculos à parte nos concertos, o público espera sempre algo diferente. Como te preparas para executar solos? Improvisos fazem parte?

Fábio Laguna - Não tenho uma preparação específica para fazer um solo. Basicamente é como fazer uma entrevista (risos). Respiras fundo, concentraste, pensas no que vais dizer e vais falando até concluir uma ideia. Não há uma regra para um solo. Ele pode ser um solo arranjado, preparado minuciosamente em casa ou um solo improvisado. Sinceramente prefiro improvisar, mas somente quando sinto que estou num bom dia e que o solo vai fluir com espontaneidade.

Metal Morfose – Qual a marca e modelo do equipamento que geralmente usas ao vivo?

Fábio Laguna - Já usei muitos teclados para fazer concertos, numa altura usei cinco. Hoje em dia as workstations permitem que leves menos equipamentos para a estrada. E isso é um factor muito positivo porque por exemplo, dessa forma pode ser evitado excesso de bagagem, quando precisas ir de avião para a cidade do concerto. Evita também que mais equipamentos sofram com a trepidação das estradas, economiza-se tempo na montagem e desmontagem do set up. Actualmente utilizo somente um teclado para as apresentações. É um Korg Extreme 76. Tem tudo o que preciso para um concerto. É extremamente funcional e rápido nas trocas de timbres no meio de uma música.

Metal Morfose – Como é ser elemento de quatro extraordinárias bandas, Hangar, Freakeys, Almah e Angra?

Fábio Laguna - Na verdade actualmente sou membro dos Freakeys, dos Hangar e dos Almah. Já não faço parte dos Angra e nunca fui um elemento dos Angra, era apenas um músico de apoio. É muito bom poder conciliar vários projectos diferentes, acaba por me enriquecer musicalmente e dou mais valor a tudo o que foi feito para chegar onde chegou. Sou muito grato em poder dividir o palco com músicos excepcionais, que integram essas 3 bandas. E fico muito mais empolgado por ser integrante dessas bandas. Com a excepção dos Angra, em todas as 60 bandas aproximadamente com as quais toquei na minha vida sempre colaborei efectivamente nas composições, na direcção, etc. Fazia tempo que não tinha a sensação de estar inserido dentro de um grupo e não ser um apêndice. O trabalho com os Angra foi maravilhoso, mas era só isso, um trabalho.

Metal Morfose – Quem administra a tua agenda de concertos, workshops, aulas particulares, ensaios, fotos e imprensa em geral?

Fábio Laguna - Os músicos têm que meter a mão na massa se quiserem viver da música. Geralmente sou eu que tenho que andar atrás de muitas coisas. Existem agências de espectáculos que dão uma grande ajuda, as editoras auxiliam no que podem, especialmente quando se trata de divulgação através das suas assessorias de imprensa.
Mas sobra muito trabalho "extra-musical" para mim tal como: assinar contratos, promover workshops e cuidar da minha agenda pessoal. Não tenho nenhuma pessoa responsável por isso porque seria um gasto desnecessário, pois ainda dou conta de administrar essa parte burocrática, sozinho.

Metal Morfose – Os Hangar lançaram o álbum sensacional “The Reason Of Your Conviction”, que é um sucesso na Europa, Japão e Brasil. Como foi fazer um álbum tão perfeito?

Fábio Laguna - Obrigado pelo elogio. Realmente de todos os outros vinte e tal álbuns que já gravei, foi o disco mais desgastante e recompensador que fiz parte. Produzir um disco é um caminho muito tortuoso, incerto. Crias um troço e não sabes qual será o resultado final, muito menos qual será a aceitação do público. De repente ele é lançado é entra directamente no chart da Burrn!, a maior revista de metal do mundo, como o 16º disco mais vendido no Japão!
Isto é indescritivelmente gratificante!
Só posso agradecer a todas as pessoas que colaboraram para que isso acontecesse e tenho a certeza de que o “The Reason Of Your Conviction”, ainda nos vai render muitos frutos em 2008.

Metal Morfose – Como é trabalhar com o Aquiles Priester [bateria], Eduardo Martinez [guitarra], Nando Mello [baixo] e Nando Fernandes [voz]?

Fábio Laguna - É simplesmente perfeito. Sem contar as fantásticas qualidades musicais de cada um, o mais importante é sentir que somos uma banda de verdade! Dividimos agonias, expectativas, sonhos, ansiedades, defeitos, manias, temperamentos... enfim, a vida pessoal de cada um. Os Hangar têm sido um “casamento” muito bem sucedido. É muito bom estar numa banda em que falar a verdade não é ofender, mas sim um gatilho para o amadurecimento. Não sei quanto tempo isso vai durar, mas que seja eterno enquanto durar. Estamos dispostos a qualquer desafio para colocar a banda no lugar que ela merece. Há uma unidade impressionante dentro da banda porque a amizade está acima de qualquer interesse.

Metal Morfose – Como surgiu a parceria com a GameMaxx, a qual colocou a música “The Reason Of Your Conviction” no jogo Cabal On Line, que é uma adrenalina total entre os jogadores?

Fábio Laguna - Sinceramente não me recordo como surgiu essa parceria. Só sei que o Cabal On Line tem tudo a ver com heavy metal, exactamente pela adrenalina que esses dois mundos compartilham. Ficamos muito contentes por fazer parte da banda sonora desse jogo. Sabemos que muitos aficionados por jogos são headbangers e vice-versa. Por exemplo, o Nando é fã de jogos, eu também sou, mas fico longe da "gamemania" porque sou muito compulsivo. Sinto-me satisfeito com os meus vícios, só jogo paciência (risos).

Metal Morfose – Quais os teus projectos para este ano?

Fábio Laguna – O meu projecto de vida é ser feliz para sempre. Em 2008 quero continuar a seguir o meu caminho, sem olhar para o lado. Quero fazer o bem para as pessoas, transmitir alguma motivação e inspiração em forma de música. Espero que o ano de 2008 seja recheado de muito trabalho, sou viciado nisso.

Metal Morfose – Os fãs portugueses querem saber quando os Hangar, Almah, Freakeys ou um workshop do Fabio Laguna irão passar por Portugal?

Fábio Laguna - Com os Hangar temos planos quase concretos, de uma tournée pela Europa durante o primeiro semestre deste ano. Espero que Portugal seja incluído nela. Para isso os produtores de espectáculos devem acreditar no nosso trabalho. Garanto que não irão decepcionar-se com o que os Hangar são ao vivo. Fizemos muitos concertos com os Freakeys e com os Almah pelo Brasil em 2006 e 2007. Não sei o que este ano reserva para estas bandas. Sobre os workshops, espero ter oportunidade de mostrar um pouquinho do meu trabalho aos fãs de Portugal quando passarmos por lá.

Metal Morfose – Monta a banda Metal Morfose, a começar com o Hands of fire: Fabio Laguna - Teclas.

Fábio Laguna - Hahahahaha! Que escolha difícil! Com tantos bons músicos espalhados pelo mundo. Como deduzo que não vale escolher os músicos dos Hangar, aqui vai um projecto paralelo freak:
Phil Anselmo - Voz
Tom Morello - Guitarra
Billy Sheehan - Baixo
Joy Jordison – Bateria
Fabio Laguna – Teclados

Metal Morfose – Muito obrigado pela entrevista e pela inauguração da sessão Hands of Fire, homenagem aos teclistas. Considerações finais e mensagem aos fãs de Portugal.

Fábio Laguna - Muito obrigado Portugal! Vemo-nos com certeza, é só uma questão de tempo. Espero estar a fazer a minha parte para que os teclistas tenham o valor e o respeito que merecem dentro deste estilo dominado pelas guitarras. É muito chato quando se vai a um concerto e ouvem-se os teclados, mas não se vê o teclista no palco. Que merda essa!
Puxa, todo o mundo precisa de um teclista! Se teclista não é músico, então ponham o gajo na mesa de som ou no banheiro, mas não no palco. É isso aí!

Por : Aldo Beehlerr

http://www.hangar.mus.br/
http://www.myspace.com/officialhangar
http://www.myspace.com/freakeys
http://www.almah.com.br/

5 comentários:

burns disse...

bela materia sobre um dos maiores tecladistas q eu conheço!!!
seus trabalhos no angra foram muito importantes!!!!
otima entrevista!!!
detalhes q nos fans sempre quisemos saber sobre fábio laguna!!
parabens a equipe do metal morfose

SkaldicSoul - Guitar disse...

Estou aqui novamente para dar gratificações a Toda Equipe do Metal Morfose(um grande abraço ao meu amigo Adelino),pelo grande trabalho e dedicação para com o Heavy Metal e todas suas vertentes no qual poucos veem o quão o Metal possui fãs FIÉIS que naum o encaram como uma SIMPLES MODA e isso é o que o Metal Morfose faz.
Dando também apoio as bandas BRASILEIRAS que possuem muita qualidade e GRANDES músicos como o Fabio Laguna que é uns dos grandes nomes do Teclado no Brasil. UM Grande Abraço a TODOS VOCÊS. do seu grande amigo que os Apoia nessa grande Jornada no Metal ; ADILSON MARESTONI - GUITARRISTA DOS SKALDICSOUL.
KEEP ON METAL

Anónimo disse...

Hailz Metal Morfose!!!!!!!!!!!!!!
Gostei mto com certeza uma EXCELENTE entrevista, com atitudes fantásticas!!!!
Parabéns pelo maravilhoso trabado da equipe METAL MORFOSE.
um grande abraço do Brasil a todos,
Cheers my friends;)

Alessandra

Anónimo disse...

É isso aí Laguna!!!
Os tecladistas com certeza darão devido reconhecimento ao seu apoio!!! Afinal, és um grande teclista!!!
Sorte!!
HAngar rulesssssss!!

Priscilla Mamus

lucinha fairy tale disse...

Oi Fábio,dou nota 1000 pela sua entrevista.Vc és realmente como eu imaginei.Sorte menino querido.
Hangar promete...
Sucesso e muitooooo sucessoooo!!!
Vc é FABIO LAGUNA com muito caminho trilhado.
Boa sorte,sempre!!!
Lucinha Fairy Tale.