domingo, 21 de setembro de 2008

ENTREVISTA - TERRITÓRIO DO ROCK

O programa de rádio brasileiro Território do Rock, tem vindo a crescer durante os seus 6 anos de existência, André e Kaká explicam a sua evolução e iniciação no mundo da rádio.

Metal Morfose - Sejam bem-vindos ao Metal Morfose é uma honra entrevistá-los!

Andre Daher - A honra é toda nossa e é sempre bom falar da luta em prol do Rock'n'Roll e do Heavy Metal.

Kaká Faé - Saudações Aldo Beehlerr, Adelino Oliveira e toda equipe do Metal Morfose a honra é toda nossa em divulgar o nosso trabalho e consequentemente o Brasil e toda a cena que acontece aqui no nosso estado como um todo.

Metal Morfose – Como foi o primeiro contacto com o Rock n Roll?

Andre Daher – O meu primeiro contacto com o Rock'n'Roll, foi em 1985 ao ver alguns trechos da primeira edição do Rock In Rio no Brasil, e no mesmo ano caracterizar-me de "Metaleiro", para a festa de fim de ano da minha escola. Lembro-me de ter visto o clipe da música "Perfect Strangers" dos Deep Purple alguns anos depois e ter ficado empolgado com o som da banda.

Kaká Faé - Quando era miúdo, já curtia as bandas nacionais do meio mainstream de pop rock, o que nos anos 80 era a febre no Brasil, mas a minha vida mudou realmente para metal, quando vi os Sepultura na TV e desde então não parei mais!

Metal Morfose – Quando é que compraram o primeiro álbum?

Andre Daher - O primeiro álbum que comprei foi o "Arise" dos Sepultura em 1991. No entanto, o meu primeiro álbum foi o "Masters of Reality" dos Black Sabbath, dado por um tio que já não o ouvia.

Kaká Faé - O primeiro disco de metal propriamente dito foi aos 12 anos, justamente o “Beneath the Remains” (Sepultura).

Metal Morfose – Qual o melhor concerto de bandas nacionais e internacionais que assistiram no Brasil?

Andre Daher - Gothic Vox (1992 em Jacaraípe-ES), Sex Trash (1993 em Vitória-ES), Ratos de Porão (1993 em Vitória-ES), The Mist (1996 em Vitória-ES), Rotting Christ (1998 em São Paulo-SP), Sepultura – Halford e Iron Maiden ( Rock In Rio 3), Malefactor (2001 em Vitória-ES), Overkill (2001 em Alegre-ES), Claustrofobia (2001 em Jacaraípe-ES), Drowned (2002 em Jacaraípe-ES), Sepultura (2004 em Vitória-ES), Torture Squad (2005 em Vitória-ES), Scorpions (2005 em Vitória-ES), Slayer (2006 em Belo Horizonte-MG), Deep Purple (2006 em Vitória-ES), Velhas Virgens(2007 em Vitória-ES), Zumbis do Espaço (2007 em Vila Velha-ES).

Kaká Faé - Bandas nacionais que eu gostei muito são: Sarcasmo, Torture Squad, Malefactor, Chakal entre outras. Ficaria aqui até ao ano que vem a escrever, pois o Brasil é um grande celeiro de óptimas bandas. Ah e diga-se de passagem quero muito ver o concerto dos Taurus, após o retorno aos palcos, o jeito será produzir um concerto deles aqui no meu estado.

Metal Morfose – Como surgiu a parceria com a Universitária Fm e quem deu a ideia do nome Território do Rock?

Andre Daher - O programa antes de se chamar "Território do Rock", possuía o nome de "Podreira do Rock" e era um projecto de laboratório de uma disciplina do curso de Rádio e TV do Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (CEFETES), que foi o local onde eu e o Kaká Faé nos conhecemos. O nome "Território do Rock" surgiu quando fiz uma actividade para nota da disciplina "Roteiros" que fazia parte da grade curricular do curso. Essa actividade pedia que colocasse no papel a estrutura completa de um programa de rádio. Ou seja, como já fazíamos o "Podreira do Rock" na rádio CEFETES, resolvi criar o até então fictício "Território do Rock". Meses depois, em comum acordo, resolvemos mudar o nome para Território do Rock. Tais passos iniciais ocorreram entre Outubro de 2000 e Janeiro de 2001.

Kaká Faé - Antes de falar da parceria com a Universitária FM, é preciso falar do período no qual o "Território do Rock" foi veiculado pela Cidade FM (101,5) e que marcou a estreia do programa na rádio Capixaba. A primeira edição do programa foi ao ar em 03/12/2001 e última em 25/11/2002. Em 2003 foi o hiato na história do "Território do Rock", pois foi marcado por algumas tentativas frustradas de levar o programa à programação de outras emissoras de Espírito Santo. No entanto, uma última tentativa foi realizada junto à Universitária FM e o "Território do Rock" ressuscitou na freqüência 104,7 no dia 13/12/2003. E é nessa emissora que estamos há quase 5 anos no ar e pretendemos ficar por muito tempo ainda.

Metal Morfose – Andre Daher, como é comandar um programa de rock ao vivo e interagir com os fãs ao mesmo tempo?

Andre Daher - Uma grande satisfação e um desafio ao mesmo tempo.
Afinal, se cometermos algum erro não há como voltar atrás, apesar de ser possível rectificá-lo. Por outro lado é muito interessante poder interagir, via telefone e MSN com os nossos ouvintes durante o programa.
As reacções às músicas, às notícias, às entrevistas e outros acontecimentos nas duas horas de programa são instantâneas. Modéstia à parte, na sua maioria são positivas! Ah, e graças à internet temos ouvintes fiéis em outros estados do Brasil e alguns no exterior.

Metal Morfose – Quais as dificuldades de manter um programa do nível do Territorio do Rock no ar no Brasil, e como empresários podem entrar em contacto a fim de o patrocinar?

Andre Daher - Em primeiro lugar, para o programa manter-se no ar é preciso honrar o valor mensal pela locação do espaço junto à Rádio Universitária FM. E isso ocorreu na maior parte destes 5 anos com recursos próprios meus e do Kaká Faé. Ou seja, com ou sem patrocínio o nosso lema é "Pagar ou Pagar!". Uma das grandes dificuldades é convencer o empresariado local de que o programa pode dar retorno, mesmo que não seja dedicado a um estilo musical que atinja grandes massas. Outra é a visão preconceituosa e estereotipada por parte de alguns de que apenas adolescentes "mal vestidos e sem dinheiro" ouvem o programa, pois o nosso público é formado por pessoas de 15 aos 50 anos, ou melhor, por qualquer pessoa que curta Rock'n'Roll e Heavy Metal. Por outro lado, existem aqueles que surgem com propostas de parcerias que não trazem benefícios práticos e necessários ao programa, ou seja, não envolvem dinheiro. Finalmente, quem tiver interesse em ser patrocinador do programa é só mandar um e-mail para territoriodorock@gmail.com e desenvolver a negociação connosco. Estamos em busca de parcerias que sejam benéficas ao programa e ao potencial patrocinador.

Metal Morfose – André Daher, gostas de Rock e Metal à quase vinte anos, nesse período houve uma evolução nos estilos seja Hard Rock, Thrash, Black, Doom, Progressivo, Folk, Power, True Metal, Gothic, e tantos outros. É uma tendência sempre as mudanças na musica ou isso é imposição de uma industria fonográfica?

Andre Daher - Creio que é uma questão ambígua. A indústria fonográfica é um negócio e como em todos os negócios é desenvolvido de forma séria e profissional, precisa de resultados positivos para seguir em frente. Creio que em determinadas épocas, surge a necessidade de novidades para alimentar a "fome" do público-alvo. Na outra ponta estão as bandas e artistas que muitas vezes deparam-se com um mercado saturado e previsível. "Milhões" de bandas a utilizar os clichés do mundo do Rock'n'Roll e Heavy Metal e contando uma "história" que já foi ouvida muitas vezes. Assim, aqueles que têm coragem e ousadia de incorporar, com qualidade e competência, novos elementos às suas músicas acabam por ir ao encontro da necessidade da indústria fonográfica por novos artistas e estilos.

Metal Morfose – O Mp3 e download são inimigos da indústria fonográfica?

Kaká Faé - Sim claro, mas a indústria também pode ser um grande inimigo para as bandas, a informação chega mais rápido às pessoas e isso é muito bom e ao mesmo tempo mau, pois aquele sentimento de luta e garra perdeu-se com essa facilidade. Lembro-me do tempo em que mandávamos uma fita k7 para São Paulo e esperava que o dono da distro ou editora, mandasse após quase um mês um álbum gravado na mesa k7, e juntávamos todos os amigos para fazer um churrasco, beber umas cervejas e ouvir o som. E ficávamos horas a conversar sobre o que tínhamos ouvido o dia inteiro. Isso infelizmente perdeu-se, essa devoção ao metal já não é mais a mesma. Uma vez estava num concerto, e um indivíduo disse que me emprestaria a sua discografia de death metal, um estilo do qual sou fã, quando ele começou a falar fiquei louco com a lista de sons raros que ele tinha, quando me disse que era em mp3, eu até saí de perto. Abomino totalmente essa atitude de bangers. Mas também sei que não se pode ter tudo. Tento, mas infelizmente não consigo. Uma coisa que o mp3 é proveitoso a meu ver é para conhecer bandas novas, mas se eu gostar do álbum eu vou compra-lo, se for directamente com as bandas melhor ainda, pois sei como funciona esta indústria de gravadoras exploradoras.

Metal Morfose – O Território do Rock em Dezembro completa 5 anos, pela 104,7 Universitaria Fm, está no ar à 6 anos, existe algum plano para comemorar o aniversário com grandes concertos?

Andre Daher - Existe um plano de comemorar o nosso 5° aniversário, mas depende-mos de alguns detalhes. Em relação a comemorar com grandes concertos, é quase impossível na nossa actual realidade. Porém, com certeza a data não passará em branco. Estamos sempre jogando na Mega-Sena. Se ganharmos um dia, posso garantir que grandes eventos agitarão Espírito Santo... (risos)!

Metal Morfose – Kaká, cita cinco bandas internacionais e nacionais que gostarias de trazer a Espírito Santo - Brasil?

Kaká Faé - Como disse antes, quero realizar um concerto com os Taurus, outras são os Headhunter DC, Averse Safira, Osculum Obscenum e Flesh Grinder.
Internacionais: Destruction, Napalm Death, Rotting Chirst (que já tínhamos até feito uma grande parte da produção e a tour na América do Sul, que foi cancelada), Slayer por que não (risos), afinal será a última tour deles e Morbid Angel.

Metal Morfose – Os fãs de Portugal podem esperar por uma Tour da dupla do Território do Rock, fazendo aparições como DJs?

Andre Daher - Vontade não falta, mas por enquanto é só um sonho.
Quem sabe um dia o "Território do Rock Tour" não desembarca em terras lusitanas? O tempo dirá, porém seria uma grande satisfação realizar um projecto desse tipo.

Kaká Faé - (Risos) Nem sabia dessa tour, mas se rolar vai ser bom para conhecer novas pessoas que fazem a diferença no metal no Brasil. É sempre bom ter esse contacto. Apesar de que não curto muito isso de DJ, onde me sinto bem mesmo é próximo do bar a ver uma banda competente.

Metal Morfose – Montem a banda Metal Morfose?

Andre Daher - Max Cavalera (guitarra e voz), Iggor Cavalera (bateria), Jason Newsted (Baixo), Tony Iommi (guitarra) e Jon Lord (Teclado).

Kaká Faé - Os Napalm Death já existem para mim! Já é a minha banda dos sonhos (risos).

Metal Morfose – O nosso muito obrigado pela entrevista. Considerações finais e mensagem aos fãs de Portugal?

Andre Daher - Quero agradecer ao Metal Morfose o espaço cedido e a oportunidade de falar um pouco da história do Território do Rock, aos headbangers portugueses. E quem quiser ouvir-nos ao vivo basta ir a: www.universitariafm.com.br aos Sábados a partir das 18h (horário oficial de Brasília). Enfim, saudações territorianas a ti Aldo, ao Adelino e equipe do Metal Morfose e aos ouvintes do programa.

Kaká Faé - Obrigado pelo espaço é uma grande honra divulgar o nome do Território do Rock em terras portuguesas, esperamos receber muito material de bandas lusitânia e mantermos um contacto cada vez mais estreito, força e sucesso a todos.

Site: http://www.territoriodorock.com.br/
Myspace: www.myspace.com/territoriodorock
MSN: territoriodorock@hotmail.com
E-mail (contato): territoriodorock@universitariafm.com.br
E-mail (envio de músicas, releases,etc): territoriodorock@gmail.com

1 comentário:

Anónimo disse...

E´incrivel como André Daher ,Kaká Faé são batalhadores ,manter um Programa do nivel do Territorio do Rock no ar so mesmo com muita dedicação.
Excelente Programa , dedicado ao Rock e Metal , sem dúvida entre os três melhores do Brasil!!

Aldo Beehlerr