quinta-feira, 17 de junho de 2010

ENTREVISTA - DARK TRANQUILLITY

Considerado um dos grupos mais influentes do cenário do Metal Mundial dos últimos tempos, o Dark Tranquillity aproveita o lançamento do excelente álbum We are the Void para realizar mais uma extensa turnê pelo Mundo e que, no próximo mês, desembarcará pela primeira vez no Brasil.
Durante a entrevista, o eximio guitarrista Niklas Sundin falou da receptividade do novo trabalho, os shows pelos EUA, as comparações com os compatriotas In Flames, a expectativa pela estreia no Brasil, etc.

We are the Void é um excelente álbum. São características do som conseguir combinar o equipamento experimental do Projector, o peso do Damage Done, com a atmosfera do Haven. Como você trabalhou nas novas músicas para chegar a este som peculiar?
Obrigado! O método de trabalho atual não difere muito de nossos álbuns anteriores. Nós praticamente tivemos o mesmo processo durante os últimos 20 anos. Todos os integrantes inventaram riffs básicos e ideias em casa, e então levamos o material para a sala de ensaio para transformá-lo em músicas de verdade. Nós realmente nunca planejamos com antecedência todo álbum; ele se compõe quando iniciamos o processo.

Qual é a receptividade do material até agora em comparação ao anterior, Fiction?
A resposta tem sido geralmente muito positiva - especialmente na Suécia, os comentários foram os melhores que já recebemos - mas é claro que é impossível para qualquer banda com uma longa história satisfazer a todos. We are the Void é um pouco diferente e as canções demoram um pouco para você se acostumar e apreciá-las plenamente. Fiction foi muito mais direto e óbvio.

No Fiction, as letras focaram em pessoas fictícias e imaginárias. Neste novo álbum, você voltou a escrever sobre si mesmo, como você costumava fazer? Por que você gosta mais de escrever letras pessoais?
Eu não tenho certeza qual a visão do Mikael mas, na minha opinião, as letras do We are the Void são mais egocêntricas e universais. Isto se reflete no contraste "I am the void / "We are the void".

Por muitos anos, o Dark Tranquillty e o In Flames tiveram carreiras bastante comparadas, muito por causa do Anders Friden e também pelo surgimento das duas bandas acontecer na mesma época. Quais são os seus pontos de vista sobre este assunto?
Honestamente, eu não tenho muita opinião sobre isso. O pessoal do In Flames são bons amigos e eles fizeram algo surpreendente com sua carreira, mas sempre fomos duas bandas muito diferentes. Havia muitas coisas comuns na época - Mikael cantava no primeiro álbum, eu escrevi as letras para dois deles e Anders tocou bateria em algumas músicas do Subterreanan - mas por um tempo ficou muito chato quando as pessoas constantemente nos comparavam, mesmo havendo um milhão de bandas com sonoridade similar ao In Flames, mais do que a nossa.

Durante os últimos anos, a Suécia tem ditado as regras da cena atual de Metal. Como você pode explicar este fato e por que tantas novas bandas de qualidade estão surgindo do seu país de origem?
Eu realmente não concordo que há muitas bandas boas na Suécia. O gosto de cada pessoa é diferente, mas a maioria das bandas suecas não me interessam muito. Normalmente, elas têm grande musicalidade, mas nenhuma visão artística real ou foco. A razão para a quantidade de bandas pode ser o padrão material relativamente elevado, mas só estou especulando.

De 1989 até hoje, quais foram os momentos mais importantes na carreira do Dark Tranquillity? Por quê?
Eu acho que conseguir o primeiro contrato seria o evento mais importante, no que diz respeito à carreira. "Skydancer" fez as coisas realmente decolarem no momento do lançamento e ele nos levou de uma banda underground para uma banda que lançou um álbum de verdade, o que não era comum na época.

Quando você decidiu fundar o Dark Tranquillity, qual era seu objetivo? Você esperava ter uma recepção tão grande rapidamente?
Nós não tínhamos quaisquer objetivos senão tentar nos divertir e sermos criativos. Nenhum de nós podia tocar nossos instrumentos quando começamos, por isso até mesmo gravar uma demo ou fazer um show ao vivo parecia irreal.

Ao contrário de várias bandas, o line up do Dark Tranquillity não mudou muito. Por que?
Nós somos frequentemente questionados sobre isso e eu realmente não sei. A única resposta seria que nós nos conhecemos bem e temos uma boa dinâmica de banda e de cooperação. Todos contribuem para a música e temos algo a dizer, e todo mundo tem os pés no chão, sem qualquer ego de rockstar.

Como você se sente sabendo que são capazes de influenciar a música de tantas novas bandas?
Não é algo que pensamos muito. Naturalmente, nos sentimos lisonjeados mas, ao mesmo tempo, isso realmente não nos afeta.

Como as mudanças no Heavy Metal nas últimas décadas modificou o som do Dark Tranquillity?
Pergunta complicada ... Eu acho que as mudanças na tecnologia de gravação são o principal fator. Alguns dos primeiros álbuns foram gravados em fita, 100% analógicos, enquanto os posteriores são digitais. Isto não tem qualquer efeito sobre a composição, mas é a única mudança geral eu posso pensar que tem afetado nosso som.

Por que você decidiu relançar os álbuns Projector (1999), Haven (2000) e Damage Done (2002) em uma versão de luxo?
A gravadora precisava fazer reimpressões de qualquer maneira, então nós pensamos que seria uma boa ideia adicionar todo o material que foi gravado ao mesmo tempo, mas que por um motivo ou outro não foi incluído nas versões originais dos álbuns.

Qual foi o momento mais curioso na sua carreira até agora?
Houve muita loucura e caos, por isso é difícil escolher um único momento. É provavelmente o momento geral de criar algo que mexe com muitas pessoas e ser capaz de viajar pelo mundo.

No ano passado, você lançou o DVD Where Death is Most Alive. Como você trabalhou para este lançamento? Você está feliz com os resultados e o feedback?
Com certeza! Foi tudo o que esperávamos e muito mais e o feedback foi surpreendente. Mesmo aqueles que não gostam da nossa música admitiram que é um dos DVDs ao vivo mais profissionais que já ouviram, por isso estamos felizes. Todo o projeto levou muito tempo, mas certamente valeu a pena.

Como está indo a turnê pelos E.U.A?
Está indo muito bem. Muita gente nos shows e uma boa atmosfera. Fizemos quase metade da viagem E.U.A./Canadá e agora estamos a caminho de Toronto.

O que o público pode esperar da primeira vez do Dark Tranquillity no Brasil? Certamente, os fãs podem esperar algo especial, não é?
Claro que sim! A primeira vez é sempre especial! (muitos risos) Sério, nós esperávamos tocar no Brasil há muito tempo e ficamos desapontados que nossa turnê anterior pela América do Sul não pôde incluir seu país, por isso estamos ansiosos para fazer um show verdadeiramente especial.

Vocês gostam de futebol? Na época que vocês estiverem tocando na América do Sul, a Copa do Mundo estará acontecendo ao mesmo tempo. Como você se sente já que a Suécia, mesmo com alguns bons jogadores, não foi classificada? Acredito que será uma experiência interessante, não acha?
(risos) Desculpe, mas não tenho nenhum interesse em esportes. Sinceramente, nem sabia que a Copa do Mundo estava chegando. Alguns dos outros caras da banda tem grande interesse pelo futebol, então eles provavelmente tem planos de assistirem quantos jogos forem possível, mas eu não.

Quais são os projetos futuros da banda?
Bem, a prioridade agora é tocar ao vivo, e o restante de 2010 está praticamente lotado. Depois de chegar em casa na Suécia, nós temos festivais por todo o verão, antes de embarcar em uma grande turnê pela Europa.

Deixe uma mensagem aos fãs.
Obrigado pelo apoio! Vejo vocês em breve!

Por: Costábile Salzano Jr
E-mail: costabilepress@yahoo.com.br

Nota: A entrevista está escrita em português (brasileiro), porque foi realizada pelo colaborador brasileiro Costábile Salzano Jr

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