sábado, 29 de novembro de 2008

ANÁLISE - GUNS N' ROSES "Chinese Democracy"

Finalmente, Chinese Democracy chega oficialmente aos ouvidos de todo o Mundo. Axl Rose resolveu sair de trás das cortinas para apresentar o tão aguardado trabalho de inéditos. Porém, se és, fã de Guns e estás à espera de algo clássico como foi Use Your Illusion I e II, fica com todos os pés, mãos, ouvidos e até mesmo o coração atrás. Se esperas algo bombástico, quebras-te a cara.
Foram longos e praticamente inacabáveis 17 anos de espera para que Chinese Democracy fosse lançado. Sempre que podia Axl arrumava uma forma de aparecer na imprensa e tocar no assunto mais cobiçado da parte dele, da media e dos seus fieis seguidores. No entanto, depois de tanto blá, blá, blá, o que podemos escutar é algo totalmente defasado. A sonoridade tem uma pitada moderna, tem seus prós, mas tem “milhões” de contras.
Da mesma maneira que Chinese Democracy tenta soar como o velho Guns ´n Roses, Chinese Democracy poderia ser muito bem o novo trabalho de qualquer outra banda alternativa. Acredito que se fosse um CD de qualquer outro grupo teria encontrado algo prestável, mas com o nome Guns estampado na capa, Chinese Democracy torna-se um disco ridículo. Até parece um surto psicótico de Axl Rose composto num monte de composições com estrutura e sonoridade já feita por qualquer outra bandinha.
Podes estar completamente transtornado e a querer a cabeça deste jornalista por estes três parágrafos, mas Chinese Democracy não é nada daquilo que esperavas. È mais um CD para vender milhões, aguçar a tua ilusão, mas, na minha simples opinião, este CD é uma tremenda sacanagem, que abala ainda mais a credibilidade da banda.
Logo no primeiro riff, que, por sinal, lembra muito Rock You Like a Hurricane, dos Scorpions, a faixa de abertura Chinese Democracy soa forte, pesadinha e moderna, mas não passa disso. Não demora muito e logo a voz de Axl explode nos teus ouvidos com a explicita e patética intenção de dizer: “Olhem pra mim, eu voltei”!
Com uma formação completamente diferente, Axl Rose ao menos escolheu bons músicos para este disco. A gravação está muito boa, mas falta aquela pitadinha de sal ou aquele docinho que te alucina, que te faz delirar, que te faz viajar mesmo sentado numa poltrona ou deitado na cama.
Curiosidades à parte, Chinese Democracy começou a ser composto em 1994, dois anos antes da debandada de Slash, Matt Sorum e Duff McKagan para montarem os Velvet Revolver. Acredito que se a clássica formação tivesse se mantido, a história seria bem diferente. A gravação teve inicio em 1997, quando Axl Rose era o único membro original. Até mesmo o novo guitarrista Dizzy Reed arrumou as malas e foi embora.
Neste disco, Axl parece que quer mostrar de todas as maneiras a sua versatilidade artística e acaba disparando contra todos os segmentos musicais. Podemos ouvir diferentes estilos como o pop pegajoso, o nu-metal, pegadas latinas com tendências moderninhas que flertam com a dance music. Se até oa momento, o caro leitor ainda não ouviu nada de Chinese Democracy, com certeza, está boquiaberto de tanto espanto.
O disco começou a ser anunciado com o lançamento de Oh My God, em 1999, música que faz parte da trilha sonora do filme Fim dos Dias, estrelado pelo ex-actor Arnold Schwarzenegger. Porém, há sete anos atrás, quando a banda esteve no Brasil a tocar no Rock in Rio 3, e em 2002, quando se apresentou no tradicional MTV Video Music Awards, a única coisa que chamou à atenção e causou estranheza foi o visual de Axl com suas trancinhas e no facto de ele ter dado a cara após um longo hiato. Algo ali já dizia que alguma coisa não estava indo na direção certa. Tanto que as músicas novas ficaram em segundo plano e pouco importaram.
Agora, Axl sente a pressão de chegar perto do sucesso de vendas que foram Use Your Illusion I e II, lançados simultaneamente em 1991, e que alcançaram imediatamente o topo de vendas. Naquela época, os Guns eram uma das principais bandas do Rock ao lado dos Metallica. Por todas as cidades que passavam, os bilhetes esgotavam em poucas horas. Os estádios estavam sempre lotados, as músicas explodiam nas rádios e na MTV. Os fãs mal podiam esperar pelo novo material da banda. Neste momento, todo aquele glamour veio abaixo.
Acredito que a Geffen Records, editora do grupo, ou melhor, de Axl, prevendo pelo pior, obrigou a banda a financiar e completar o disco, que custou a mera bagatela de U$ 13 milhões de dólares, ou seja, este é o trabalho mais caro da História da Música.
Shackler's Revenge, a segunda do disco e que foi disponibilizada na internet antes do lançamento, tem uma pegada modernosa que nos remete ás características de Korn (!) e Rammstein (!!!!), mas depois cai numa melodia pegajosa nos moldes do Likin Park. É pedir a morte, não é?
A composição mais tragável é Better. Um popinho pegajoso, bem feito, com uma pegada e melodia interessante, mas segue bem o estilo MTV. Street of Dreams é uma balada, com a voz de Axl alta como sempre. If the World tem um começo bem atraente, com uma tendência moderna, mas Axl deixa transparecer que se vendeu definitivamente ao mercado. A batida eletrônica, o baixo cheio de groove, a guitarra distorcida bem de fundo fazendo uma cama é o tempero da quinta faixa.
Depois disso, o disco é uma maçada. Em Sorry, Axl canta: “No sorry for you, no sorry for me”. Seria esta uma falta de educação antecipada?
Depois de fracassada a expectativa de lançamento nos últimos anos, a única que deve lucrar em certo ponto é a fabricante Dr. Pepper, que dará um refrigerante para cada americano caso o Chinese Democracy fosse lançado.
Nos Estados Unidos, o disco será vendido a partir do dia 23 de novembro exclusivamente pela rede de lojas Best Buy e estará disponível em três formatos: CD, LP e digital. Para ouvir as 14 músicas deste álbum, basta acessar www.myspace.com/gunsnroses.

Tracklist:
1. "Chinese Democracy" (Rose/Freese)
2. "Shackler's Revenge" (Rose/Buckethead/Costanzo/Mantia/Scaturro)
3. "Better" (Rose/Finck)
4. "Street Of Dreams" (Rose/Stinson/Reed)
5. "If the World" (Rose/Pitman)
6. "There Was A Time" (Rose/Tobias/Reed)
7. "Catcher In The Rye" (Rose/Tobias)
8. "Scraped" (Rose/Costanzo/Buckethead)
9. "Riad N' The Bedouins" (Rose/Stinson)
10. "Sorry" (Rose/Buckethead/Mantia/Scaturro)
11. "I.R.S." (Rose/Tobias/Reed)
12. "Madagascar" (Rose/Pitman)
13. "This I Love" (Rose)
14. "Prostitute" (Rose/Tobias)

Formação:
W. Axl Rose - Vocal (em todas as faixas) / Piano (Faixas 7,13,14) / Guitarra (Faixas 6,12) / Teclado (Faixas 1,13) / Sintetizador (Faixas 6,13) / Trompa Sintetizada (Faixa 12) / Samples (Faixa 12)
Ron "Bumblefoot" Thal - Guitarra (em todas as faixas)
Richard Fortus - Guitarra (Faixas 1,3,4,6,14)
Tommy Stinson - Baixo (em todas as faixas, exceto faixa 5)
Frank Ferrer - Bateria (Faixas 1,3,5,6,11)
Dizzy Reed - Teclado (Faixas 1-4,6-9,11,14) / Piano (Faixas 4,5) / Sintetizador (Faixas 4,6,13,14)
Chris Pitman - Teclados (Faixas 1-8,10,12,13) / Baixo (Faixa 5,6,12) / Sub-Bass (em todas as faixas, exceto faixa 7) / Guitarra (Faixas 1,5) / Sintetizador (Faixa 4,6,13,14) / Programação Eletrônica (Faixas 5,6,12) / Mellotron (Faixa 6)

Músicos Adicionais:
Robin Finck - Guitarra (em todas as faixas) / Teclado (Faixas 3,5)
Buckethead - Guitarra (em todas as faixas, exceto faixas 7 e 13)
Paul Tobias - Guitarra (Faixas 1,3-7,9,11,12,14) / Piano (Faixa 6)
Bryan "Brain" Mantia - Bateria (em todas as faixas, exceto faixa 1) / Programação Eletrônica (Faixa 11)

Músicos Convidados:
Paul Buckmaster - Orquestração (Faixas 4,6,12,14)
Marco Beltrami - Orquestração (Faixas 4,6,12,13,14)
Eric Caudieux - Programação Eletrônica (Faixa 5) / Sub-Drums (Faixa 13)
Pete Scaturro - Teclado (Faixa 10)
Sebastian Bach - Backing Vocal (Faixa 10)
Suzy Katayama - Trompa (Faixa 12)
Patti Hood - Harpa (Faixa 13)
Caram Costanzo - Sub-Drums (Faixa 13)

Por: Costábile Salzano

1 comentário:

Anónimo disse...

Até achei a 'análise' razoavelmente bem feita e interessante, mas não existe uma revisão da 'análise' em Português ou em Inglês?
É que ler expressões tipo 'sacanagem', 'quebras-te a cara', defasado e 'popinho' desmotivam a leitura até ao final.
Este blog merece bem melhor que expressões tiradas de 'novelas'.